terça-feira, 23 de junho de 2009

Fanatismo religioso e escola

Por
Prof. Valdir Correa (Vavá)

Noite fria. Willian Bonner e Fátima Bernardes (casal moderno, ela não assina o sobrenome do maridão; ou são nomes de “fantasia”...) anunciam, com tom de preocupação, que mais um atentado aconteceu. Fanáticos religiosos islâmicos explodem não sei o quê... As vítimas são contadas em três dígitos... “-E agora, o futebol.”.. Típico...
Coloco-me a pensar na motivação destes fanáticos. O que querem? Por que chegam ao extremo de matar pelo seu “deus” (recuso-me a escrever esse “deus” com inicial maiúscula...)?
Conversão... Esta é a palavra que motiva as religiões. Quanto mais pessoas se converterem a determinada religião, mais poder ela terá (religiões vivem de poder, em suas diversas possibilidades – financeira, social, psicológica!). Ora, converter alguém não é tarefa muito fácil. Não adianta usar de lógica, pois a fé não é ciência. Podemos usar de uma boa argumentação, principalmente se o outro for alguém sem muito acesso à cultura (a proliferação dos “evangélicos” mostra isso). Diante desse quadro, a conversão dos infiéis torna-se algo impossível. E , se não podem ser convertidos, que sejam eliminados! Esta é a visão de um fanático religioso.
Na escola, falamos muito em respeitar a opção religiosa dos nossos estudantes. Mas será que respeitamos mesmo?
Um teste simples... Queremos converter nossos estudantes? Temos o anseio de que eles mudem suas crenças religiosas e passem a seguir a nossa? Caso a resposta seja sim, lamento: não estamos respeitando a opção que ele fez! Podemos até aceitar a opção dele, mas respeitar vai muito além disso. Respeitar implica em não se colocar num degrau superior (se quero que você pense como eu é porque acredito que meu pensamento seja melhor que o seu...). Respeitar está intimamente ligado com a equidade nas relações. Dizer que a religião “x” (usando a linguagem matemática...) é melhor do que a religião “y” é um ato de fanatismo religioso. Quem não segue tal religião está perdido. Nem o diabo o aceitará... Dessas ideias nasce o fanático que não se contenta em argumentar: ele precisa matar...
Li, certa vez, uma frase muito interessante. Dizia: “A melhor religião é aquela que torna cada ser humano melhor.” Não sei bem se foi proferida por Gandhi ou por Buda. Tanto faz. Frases assim, pela profundidade, tornam-se de propriedade de todos os homens.. Mas é isso! Deixemos cada um seguir seu caminho religioso. Abaixo à conversão repressiva, obrigatória. Quer converter alguém? Viva bem. Dê bons exemplos. Seja verdadeiro em suas convicções. Desperte admiração. Esta sim, a forma mais humana e divina de converter alguém...

2 comentários:

Caroline J. Cubas disse...

Vavá,

Teu texto me lembrou algo que há alguns anos era meio "modinha": o discurso da tolerância...
Falava-se que o diferente deveria ser tolerado, que outros credos deveriam ser tolerados sem perceber que, na verdade, o respeito ficava em segundo plano... Tolerar aparenta, de alguma forma, um certo desnível na relação... O tolerante acaba se pondo em um pedestal de sapiência e superioridade em relação àquele que precisa ser tolerado.
É assim: você tolera (porque é superior e sabe que está certo) enquando é possível...quando não for mais possível, você explode, mata, bombardeia (mas continua munido de razão...)
Concordo quando falas sobre o respeito...e esse é um exercício bem difícil... é difícil aceitar que verdades muito absolutas são, na maioria das vezes, absolutamente superficiais. É dificil aceitar que o outro também tem razão...tem a SUA razão e que o equilíbrio e a convicência entre as tais razões múltiplas é uma atitude possível...

Unknown disse...

O que mais chamou minha atenção foi as dificuldades que eles passaram, as causas equivocadas, que todos os paises do mundo deviam ter acesso a comida mas só os paises desenvolvidos tem.
O que mais me chocou foram os dados.
Algumas pessoas pensam que são donas do mundo, mas não é assim, o mundo é de todos nós.Elas fazem do mundo seu escravo, e os outras pessoas tambem, por isso existe tanta tristeza no mundo.